31.10.09

Nota do Director Mário Jorge Pinto

prenuncia eventual fim

 
Numa Nota publicada na edição desta última quinzena de Outubro, o Director do Jornal de Albergaria, Mário Jorge Lemos Pinto, dá conta de alguma melancolia que, numa leitura mais cuidada, poderá prenunciar, além do seu abandono, o fim de tão relevante arauto do Concelho de Albergaria-a-Velha.
Na verdade, a nossa terra até mereceria um periódico semanal, com um corpo redactorial fixo e porventura semiprofissional. Contudo, parece que os tempos de crise no essencial da vida económica local estarão a ditar sérios constrangimentos ao nível das receitas, em particular nas provenientes da publicidade. Cumulativamente, muito do tecido empresarial aqui sediado estará longe de sentir o pulsar da vila e de ser sensível aos seus anseios e potencialidades, preferindo divorciar-se de muitos dos agentes/pólos dinamizadores da colectividade onde se inserem.
Com uma linha editorial vincada e assumidamente independente, o Jornal de Albergaria tem feito um percurso que a todos prestigia e enobrece. Nunca invejarei o cruel rosário de dificuldades, obstáculos e incompreensões enfrentado pelo impoluto Mário Jorge Lemos Pinto. Trata-se de um notável causídico, cuja brilhante vida profissional o dispensaria de outros incómodos, que só o seu conhecido amor e dedicação à “res publica” o exporia a semelhantes provações.
Mais do que quinzenários regionalistas, cuja manutenção perece ficar a dever-se a motivações exclusivamente comerciais, funcionando como caixa de ressonância da informação oficial como garantia de sobrevivência, Albergaria precisa(rá), como de pão para a boca, de uma informação livre de espartilhos e condicionamentos terceiro-mundistas, impostas por personagens caciquistas.
Por se tratar de uma Cooperativa, espera-se que a Direcção possa, a breve trecho, encontrar soluções que evitem o fatalismo de, por estes lados, nada vingar. Foram as rádios e agora poderá sumir-se o jornal da terra. Que este alerta do Director – só por si, garantia de FUTURO - ecoe bem alto e toque fundo nas consciências de quem pode (e deve) fazer a diferença.
A ver vamos.
publicado por alho_politicamente_incorrecto às 17:34
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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorrecto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! (Desde 18 de Agosto de 2008)
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» MAIS VALE SER SURDO QUE ENSURDECIDO. Antigamente as pessoas queriam criar-se uma reputação: isso já não basta, a feira tornou-se demasiado vasta; agora é necessário vender aos berros. A consequência é que mesmo as melhores gargantas forçam a voz e as melhores mercadorias não são oferecidas por orgãos enrouquecidos; já não há génio, nos nossos dias, sem clamor e sem rouquidão. Época vil para o pensador: devemos aprender a encontrar entre duas barulheiras o silêncio de que se tem necessidade e a fingir de surdo até chegar a sê-lo. Enquanto não se tiver chegado a isso, corre-se o risco de perecer de impaciência e de dores de cabeça.» (Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência")
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» O KAOS GREGO. É muito pouco provável que as negociações em curso na Grécia para constituir governo sejam bem sucedidas ou tenham efectiva influência relativamente à questão de fundo, ou seja, o destino do país dentro da zona euro. Mal-grado os esforços do Presidente da República, caminha-se para um cenário de novas eleições, o que só agrava a situação, pois está à vista que as sondagens (que pelos vistos lá são certeiras) apontam para a vitória de um partido da esquerda radical. Como se isso não bastasse, na Grécia o partido mais votado recebe uma espécie de bónus que se traduz nuns quantos lugares no parlamento, para favorecer a formação de uma maioria. Só esse facto é definidor de uma situação surrealista muito específica e pouco própria dos modelos que se usam em geral na Europa. Simultaneamente, todos os dados disponíveis apontam nesta altura para a insustentabilidade da manutenção de Atenas na moeda única europeia. É mesmo muito pouco provável que, saindo do euro, a moeda grega, eventualmente um novo dracma, possa manter-se num quadro de paridade relativa, como sucedia com as moedas de países comunitários antes da constituição formal da divisa comunitária. Vários especialistas admitem que uma saída da Grécia implicaria uma desvalorização que poderia até ultrapassar ligeiramente os 50%, logo numa primeira fase. Uma percentagem dessas teria consequências absolutamente sinistras, impediria na prática qualquer acesso ao exterior das classes médias (daí a enorme fuga de capitais que se tem dado), duplicaria a dívida e dificultaria de forma extrema todas as importações. A única vantagem eventual seria um ganho concorrencial nas exportações e no turismo, embora os factores de instabilidade social sejam desmotivadores para este último sector. Contra estes factos não há verdadeiramente argumentos: a Grécia estoirou. De facto, só um milagre propriamente dito a pode salvar. Como se disse, não é previsível que qualquer solução que conduza a um governo com apoio parlamentar possa perdurar, pelo duplo efeito político e da rua. Além disso, os gregos não têm um estado minimamente organizado. Não há sistema de saúde coerente nem justiça fiscal, as regalias sociais e económicas eram absolutamente absurdas e incomportáveis em face da produtividade. Há, no entanto, um ponto que a catástrofe que se advinha para eles e para a Europa não deveria pôr em causa em nenhuma circunstância: a presença na União. Mesmo na penúria, há que tentar manter o país dentro do espaço comunitário europeu, sob pena de o projecto global falhar. Não ter entrado era uma coisa. Sair de vez é outra bem pior. O maior ensinamento a colher desta situação de pré-catástrofe é que não há receitas iguais para todos. O que se fez lá não serviu, por estar fora da realidade. Aos problemas que já havia juntaram-se políticas de austeridade excessiva, com exigências de efeito perverso. Somaram-se os erros internos aos da troika. Espera-se que se saiba tirar do processo grego as lições suficientes para evitar que o problema se repita em Portugal, em Espanha, na Irlanda ou até na Itália. Mais do que nunca, há que atender à especificidade de cada maleita nacional, pois está visto que neste caso os genéricos não funcionam de modo algum.» Autor: Eduardo Oliveira Silva. Fonte: Jornal "i". Tema: A constituição do novo governo na Grécia. Data: 13/MAI/2012.
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